Já falamos nessa coluna sobre se despedir sem pressa nos velórios. Hoje queria me aprofundar nesse assunto focando em um aspecto: os parentes que moram longe. Afinal, é muito comum termos um primo que mora em outro estado ou até em outro país. E, essas pessoas também merecem uma despedida digna de seu ente querido.

Pense comigo caro leitor, a vida pode separar as pessoas que já foram próximas. Aquele seu primo ou tio que eram próximos na infância podem estar em outro lugar. As oportunidades de emprego chegam e, muitas vezes, não podemos recusar ou até a oportunidade do sonho de ir morar no exterior. Os motivos são diversos, mas o fato é que hoje em dia ter parentes próximos morando em lugares distantes é muito comum.

Entretanto, quando há um falecimento na família, essas pessoas podem querer ter uma despedida digna do amor e dos momentos compartilhados. Muitas vezes, decidimos por nós mesmos as questões do funeral como tempo de velório, dia, localização e outros detalhes. Contudo, não nos damos conta que outras pessoas podem querer estar nessa cerimônia final.

A importância disso pode ir além de nossa percepção. O psicólogo Diego Falco explica “os rituais de despedida, muitas vezes, podem ser necessários para uma superação saudável do luto.” Dessa forma, entendendo que o velório é um ritual de despedida, podemos refletir a respeito da importância dele para todos que amam a pessoa que fez a passagem.

Mesmo após essa informação, ainda pode ser difícil entender a importância dessa cerimônia para os demais. Em um momento de dor, pode ser difícil se colocar no lugar do outro. Entretanto, por conta da pandemia, o mesmo psicólogo criou um artigo sobre alternativas pelo velório, já que não podia haver aglomerações. A despedida final é tão importante para muitos que, este profissional buscou alternativas para a prática.

Além disso, não são apenas familiares. As pessoas têm amigos de infâncias, colegas de trabalho, as vezes até uma ex-sogra quer participar, por quê não? O importante é ter em vista a melhor despedida para todos os envolvidos. Cada um vive seu luto, dessa forma, o ideal é fazer uma despedida que se encaixe para todos.

Imagine que você não quer acompanhar o velório, não vá. Mas, se seu irmão quer ir, por exemplo, deixe que ele vá. Possibilite as cerimônias para os interessados, e os que não se sentem bem, não precisam ir. Num momento de luto ou perda, não há procedimento correto, cabe a todos aceitar e compreender a forma do outro lidar com a dor.